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Previdência quase triplicou alocação em risco em três anos; mas e após coronavírus? 07/04/2020









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Esse incremento não foi suficiente para diminuir a preponderância da renda fixa no segmento, mas fez a fatia agressiva nas aplicações das entidades de previdência complementar aberta subir de cerca de 10% em 2016 para cerca de 33% em 2019.

A conta inclui os PGBLs e VGBLs e exclui os fundos corporativos e os de pensão, que têm contribuições de patrocinadores e são exclusivos para funcionários de empresas ou para sindicatos e associações.

Por outro lado, o crescimento na aposta em renda variável é proporcional ao medo causado pelas quedas nas bolsas após a pandemia. Quando checam os saldos, alguns investidores veem a reserva de aposentadoria diminuída em até 20% desde dezembro.

Mas especialistas e gestores dobram a aposta. Para eles, de tão agudo e inesperado, o episódio do covid-19 tem função didática, e uma cada vez maior alocação em risco por parte de fundos de previdência é um caminho sem volta.

A discussão ficou mais relevante após a reforma da Previdência. Cresceu a consciência sobre a necessidade de complementar a aposentadoria pública – já são cerca de 13 milhões de CPFs com R$ 1,9 trilhão investidos em produtos afins.

Esse contingente deve cada vez mais se perguntar: como fazer a previdência render o suficiente para garantir tranquilidade na velhice? A que nível de risco posso me sujeitar na gestão desse recurso? Entrou na conta a expectativa de vida maior?

Se quer rentabilidade, tem que ter risco
A principal razão de os PGBLs e VGBLs terem passado a aplicar mais em ativos de renda variável foi a mesma que motivou uma maior tomada de risco nos investimentos em geral: a redução na taxa básica de juros, de 14,25% em 2016 para os atuais 3,75%.

Com isso, a poupança e outras modalidades de renda fixa passaram a render muito menos, explica Rodrigo Terni, sócio fundador da gestora Giant Steps. “Na previdência privada, vimos migração massiva para ativos de maior risco, uma readequação ao encontro da necessidade de retorno lá na frente”, ele comenta.

O ambiente econômico – inflação baixa, déficit fiscal em redução – também puxou mais apostas em multimercados ou ações, seja na migração de carteiras em fundos que já existiam ou na criação de produtos com perfil mais agressivo, diz Marcelo Mello, vice-presidente de Vida, Previdência e Investimentos da SulAmérica.

Ele identifica um “ciclo virtuoso” para além da queda da Selic: “O regulador ajudou, permitindo alocação em ETFs, ampliando os limites de exposição e criando a figura do proponente qualificado”.
Mello ressalta outro aspecto, mercadológico: a proliferação das plataformas digitais, diz, facilitou a contratação, atualizou produtos e engajou novos clientes mais propensos a correr riscos.

Jorge Ricca, diretor financeiro da Brasilprev, quantifica essa evolução: segundo ele, no fim de 2017, a alocação em renda variável pelos fundos abertos ficava em cerca de 10%. “Essa proporção foi para 13% em 2018 e para 20% em 2019. E o que víamos no início de 2020 eram números ainda melhores”, diz.

Na visão dele, os fundos abertos seguiram, a partir de 2017, uma tendência que já se identificava nas entidades fechadas.

Dados da Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar) e da Susep (Superintendência de Seguros Privados) organizados pelo consultor José Raymundo de Faria Júnior, da Planejar, evidenciam isso. Ao fim de 2019, a parcela aplicada em bolsa pelos fundos de previdência abertos e fechados era de 19,3%, contra 18,5% em 2017. Mas quando se vê só os fundos abertos, a fatia cai para 2,1%, contra 37% nos fechados.

Júnior faz uma ressalva: embora a alocação agressiva tenha crescido, o nível pré-coronavírus ainda era similar ao de quase dez anos atrás, e baixo na comparação com outros países. “Em termos proporcionais, seria necessária uma compra na bolsa de R$ 87 bilhões [por parte dos fundos abertos] para igualar 2011”, explica.
Por outro lado, nem só de ações se faz o risco, e, em certos portfólios, a agressividade apareceu primeiro em um rearranjo na renda fixa. É o que explica Ricca, da Brasilprev, onde a proporção de renda variável cresceu para apenas 9,3%: “Os anos de 2018 e 2019 foram de ‘fechamento’ da curva de juros. Então quem migrou de pós-fixados para prefixados ou indexados à inflação teve retornos relevantes e não precisou ir para a bolsa”.

A compreensão de risco como um conceito mais amplo que “ativos negociados em bolsa” inspira outro diagnóstico, da consultoria de investimentos Mercer Brasil. Em levantamento para o Valor Investe, a empresa contabilizou não só ações, mas também a renda fixa atrelada a juros e ativos como câmbio, commodities, derivativos e opções. “São produtos que trazem risco, mas que não entram sob o guarda-chuva da ‘renda variável’”, explica Mauricio Martinelli, consultor sênior de investimentos da empresa.

Assim, a Mercer dividiu os investimentos feitos por fundos PGBLs e VGBLs em “mais agressivos” e “conservadores”, e identificou um aumento nos primeiros, de 13,6% em 2016 para 32,2% em 2019.

Fonte: https://valorinveste.globo.com/produtos/previdencia-privada/noticia/2020/04/07/previdencia-quase-triplicou-alocacao-em-risco-em-tres-anos-mas-e-apos-coronavirus.ghtml

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