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No 1º ano da reforma da Previdência, CDI bate 8 dos 10 maiores fundos 23/12/2020

Com a inflação acelerando e a Selic na mínima histórica, todos as opções com maior patrimônio do mercado tiveram rendimento real negativo. Aceitar a primeira opção oferecida pelo gerente do banco pode sacramentar uma aposentadoria complementar bem aquém das suas expectativas...


Quem busca um plano de previdência, das duas uma: ou nem mesmo contribui com a Previdência Social, ou, se sim, não espera lá por grandes coisas das aposentadorias pagas pelo governo. Feita a reforma, que completa um ano em 2020, essa expectativa se deteriorou mais. E para quem tem dinheiro aplicado num dos maiores planos complementares do Brasil, a notícia a seguir não melhora muito o baixo astral. Mas melhor saber do que ignorar.


Levantamento feito na plataforma Morningstar mostra que os dez fundos de previdência vendidos no varejo com maiores patrimônios líquidos acumulados no Brasil deixaram a desejar neste primeiro ano de reforma da Previdência. Desses, oito apanhavam do CDI em 12 meses até novembro. E todos eles rendem abaixo da inflação, ou seja, tem rendimento real negativo. Em alguns dos casos, também em períodos maiores que um ano.


Por acompanhar a Selic, essa taxa é considerada “livre de risco” pelo mercado. Ou seja, é o piso aceitável de retorno para qualquer aplicação.


Fora o rendimento a desejar, todos esses fundos têm outra coisa em comum: são de renda fixa. "Como os juros eram muito altos, confortavelmente acima da inflação, praticamente qualquer aplicação rendia mais do que o IPCA", explica Marcelo d'Agosto, consultor financeiro e blogueiro do Valor Investe. "Então, o que as seguradoras vendiam era o acesso a uma aplicação que podia ser deduzida do Imposto de Renda, e a rentabilidade era praticamente secundária."


d'Agosto recorda que, nesse cenário, investidores lidavam praticamente com dois riscos, ainda presentes nas regras da previdência privada:


Caso optassem pela chamada "alíquota progressiva", com tributação na declaração do IR, as condições financeiras poderiam ser diferentes lá na frente ou o governo mudar as regras do IR no meio do percurso.


Já se fossem pelo caminho da "alíquota regressiva", com tributação na fonte, o risco era o de pagar um IR muito maior, caso se precisasse sacar antes de 10 anos, seja lá por qual motivo.


Anos depois de a renda fixa abandonar aquele mundo mágico dos dois dígitos, acompanhando a Selic rumo aos atuais 2% ao ano, o rendimento desses fundos virou um problema. E uma dor de cabeça adicional aos investidores é conseguir ficar sabendo disso. Se a falta de educação financeira é um entrave, fica potencializada com comunicação truncada.


Mesmo para quem é do ramo, como d'Agosto, a tarefa faz suar. E o calor começa nos nomes dos planos de previdência, muitas vezes, completamente diferentes do batismo dado aos fundos em que o dinheiro está aplicado. Esse tipo de confusão já não acontece nos fundos de investimento não destinados à previdência. Mesmo no universo da renda fixa, lembra d'Agosto, existem variadas classificações, como DI, Ativo, Juros Real e fundos de crédito privado.


"Nos fundos de investimento é mais fácil comparar e decidir resgatar, se o desempenho for ruim, ou aplicar, se a perspectiva de rentabilidade for boa", diz. "Já nos fundos de previdência, depende de o plano oferecer, ou não, outras possibilidades."


d'Agosto usa como exemplo o plano Brasilprev Júnior, em que é permitido investir nos fundos de investimento exclusivos (FIEs) RT Fix ou Ciclo Vida 2030. E que podem, escolhido o plano, aplicar em fundos com estratégias parecidas, como Clássico, Concept, Estratégia, Premium e Ativo.


"Com tantas informações, é fácil o investidor se perder". diz. De acordo com d'Agosto, para completar, fica difícil entender também a razão de várias taxas de administração diferentes cobradas pela Brasilprev.


"Passa a impressão cobrarem taxas diferentes dos fundos só por ter nomes diferentes, já que oferecem praticamente a mesma coisa em termos de estratégia e resultado", diz. "Falta clareza para que o investidor possa se sentir seguro ao atribuir a alguém a missão de cuidar de um dinheiro com o qual se conta para daqui a 20, 30, 40 anos".


Melhor, então recorrer aos fundos de investimentos não regidos pelas regras da previdência privada para se aposentar? Não necessariamente. Mas se for essa a opção escolhida, é melhor abrir bem os olhos.

"Previdência é uma boa opção porque o benefício fiscal pode ser expressivo, mas não a qualquer preço", diz d'Agosto. "Você pode achar que está comprando uma coisa que a seguradora não está vendendo, que é a gestão dos seus recursos a longo prazo".


É fundamental, de acordo com o consultor, acompanhar o desempenho dos fundos com lupa na mão e, eventualmente, fazer a portabilidade para outros planos. "Mesmo abrindo mão de eventuais benefícios do relacionamento antigo, pode valer a pena ao colocar o rendimento obtido na balança".


Recordar é viver. E ajuda a abrir ainda mais olhos para o que o futuro pode lhe reservar.

Aprovada a reforma da Previdência e salvas as exceções, homens agora só se aposentam pelo sistema público depois dos 65 e 20 anos de contribuição. Isso garante 60% da média salarial trabalhada. Para 100%, são necessários 40 anos de recolhimento. No caso das mulheres, o piso dos 60% é obtido aos 62 e 15 anos de contribuição. Para a integralidade, 35.


O outro lado

Procuramos a Brasilprev com o envio de três perguntas:


Os fundos têm desempenho abaixo do CDI em recortes diferentes de tempo, seja no curto prazo (1 ano até outubro), médio (2, 3 ou 5 anos até outubro) e longo prazo (10 anos). Por quê?

Se esses fundos usam a mesma estratégia de gestão, por qual motivo têm taxas de administração diferentes?

Esses fundos têm os maiores PLs entre os vendidos no varejo pela Brasilprev. São esses os principais produtos ofertados aos clientes? Se sim, por quê? Se não, para qual perfil de clientes é ofertado?

A companhia optou por não responder a segunda e a terceira pergunta, mesmo sob insistência. E enviou à reportagem o seguinte comunicado, passando mais a primeira questão.


“A Brasilprev informa que os fundos mencionados são estratégias de Renda Fixa que foram criadas em meio a cenários econômicos distintos do atual. Uma análise essencial a se fazer é que, no período avaliado (no longo prazo), os fundos primaram também por preservar o poder de compra dos clientes, superando a inflação nessa janela. A companhia trabalha continuamente no esforço de assessoria para que os participantes diversifiquem as suas carteiras, almejando melhores ganhos no longo prazo através de produtos de maior valor agregado e não fixando seus recursos em uma única estratégia, principalmente nas mais conservadoras que ganham um caráter de proteção. É importante lembrar que o ano de 2020 foi um período atípico para o mercado financeiro, impactado fortemente pela pandemia da Covid-19. Por fim, a Brasilprev lançará em breve uma nova grade de fundos, em prol da diversificação, e conta com um portfólio vasto para diferentes públicos e com a vantagem progressiva, em que o cliente vai acessando taxas mais baixas conforme a evolução da reserva. A empresa permanece à disposição para mais informações.”


Já ao Bradesco, foram enviadas as questões sobre a primeira pergunta, sobre um dos fundo que aparece no levantamento com ganhos abaixo do CDI seja no curto ou médio prazos, e a terceira, sobre as razões de fundos com baixo rendimento serem os com maiores patrimônios líquidos.


Vinicius Cruz, diretor financeiro da Bradesco Seguros, escreveu por e-mail que os fundos citados são "de baixo risco, com ativos de baixa volatilidade e expectativa de retorno próxima ao CDI, voltados para clientes mais conservadores, que acabam acessando estratégias de prazo mais reduzido e menor capacidade de conferir retornos mais expressivos. Recentemente, em setembro e outubro, o forte movimento de reprecificação das LFTs contribuiu para afetar negativamente o desempenho desses produtos."


Sobre a quem esses produtos rendendo abaixo do CDI são indicados, explicou que "são alternativas voltadas ao cliente mais conservador, com baixa tolerância ao risco, ou à parcela do seu portfólio de investimento mais conservadora. Em um contexto de diversificação, apesar de, momentaneamente, estar rendendo abaixo do CDI, essa solução global de alocação acaba fazendo sentido, já que preserva o patrimônio e atende a necessidade de quem não pretende permanecer com o recurso por muito tempo. A concentração de PL nesses fundos ocorre justamente porque, mesmo os clientes com perfis mais agressivos, geralmente mantêm parte do seu patrimônio em produtos de baixo risco, seja pela diversificação, seja pela expectativa de resgate no curto prazo, situação em que a preservação do patrimônio é mais importante do que a obtenção de ganhos expressivos."


Já o Itaú Unibanco simplesmente decidiu não responder às mesmas perguntas enviadas ao Bradesco até o fechamento desta matéria. E o Valor Investe segue à disposição, caso o banco mude de ideia.


E para você não sair desta matéria totalmente desiludido, separamos opções de fundos de previdência aplicados em renda fixa que têm apresentado rendimento bem acima do CDI.

Reparou que entre os melhores rendimentos há fundos, inclusive, administrados pelas mesmas ofertantes daqueles que apanharam do CDI? Ou seja, procurando bem, dentro do próprio banco, você ganharia mais dinheiro. Então vale, sim, atormentar o gerente em busca de coisas melhores sempre. E questionar até entender cada vírgula.


Mas, para você também não se animar demais, lembramos que rentabilidade passada não rende no futuro. Dá só uma sinalização nesse caso de fundos que têm sido bem geridos. No meio do caminho, tudo pode mudar. E para evitar, surpresas desagradáveis, percorra o trajeto sempre de calculadora à mão.


Fonte: https://valorinveste.globo.com/produtos/previdencia-privada/noticia/2020/12/18/no-1o-ano-da-reforma-da-previdencia-cdi-bate-8-dos-10-maiores-fundos.ghtml


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